Há “vontade” de realizar a 4.ª edição do Encontro – Emanuel Martins

O Presidente da Fundação “O Século” garantiu que a Instituição tem “vontade” de voltar a realizar no próximo ano uma nova edição do Encontro de Literatura Infanto-juvenil da Lusofonia.

A “vontade” foi expressa por Emanuel Martins, o Presidente Do Conselho de Administração da Fundação “O Século” (FOS), durante a sessão de encerramento do 3.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia, que decorreu de 13 a 18 de Março, promovido pela FOS. Contudo, o dirigente da Instituição alerta para algumas condicionantes, que podem travar este desejo.

“Nunca sabemos no ano a seguir o que é que vai acontecer, ou melhor, se ainda estamos de portas abertas no ano seguinte. Tem sido este o nosso desafio de há vários anos a esta parte, mas, o que vos posso dizer é que temos vontade de começar já a preparar o 4.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia, provavelmente, com algumas coisas diferentes, aproveitando todos os contributos daqueles que nos querem ensinar. O Dr. Jorge Sampaio, quando esteve aqui na sessão de abertura, deixou-nos aqui importantes desafios que temos de perseguir, assim como outros desafios que nos foram deixados por outros protagonistas durante estas realizações, que nos deixaram outros objetivos que gostaríamos de conseguir alcançar. Mas, em primeiro lugar temos de garantir primeiro a sustentabilidade que nos permita encarar todos estes desafios. Porque se não tivermos esse cuidado pode ser funesto não podendo realizar nem este nem outros desafios. Por nossa vontade, cá estaremos para o ano para fazer o 4.º Encontro de Literatura Infanto-juvenil da Lusofonia”, garantiu Emanuel Martins.

A sessão de encerramento deste 3.º Encontro contou também com a presença do Ministro da Cultura, que na sua intervenção  deixou elogios ao trabalho desenvolvido pela Fundação “O Século”, destacando a “obra fantástica” que a instituição tem vindo a realizar tanto ao nível da ação social como no âmbito cultural.

“Eu sei que os meus antecessores já aqui estiveram e fizeram muito bem. Saio daqui com a mesma impressão, a de que está aqui uma obra que vale a pena, uma obra de grande alcance. Este Encontro de Infanto-Juvenil é um alargamento da ideia do Plano Nacional de Leitura, na medida em que pretende atingir um público maior”, disse Luís Castro Mendes, no início do seu discurso.

O Plano Nacional de Leitura tem estado até agora centrado nas escolas e sob tutela do Ministério da Educação mas, o Ministro da Cultura revelou que é intenção do Governo avançar com um “trabalho conjunto” e de “convergência” entre os Ministérios da Educação e Cultura, com o objetivo de “dar mais corpo” ao Plano Nacional de Leitura.

O governante destacou, depois, a importância da literatura para crianças e jovens e o desenvolvimento “extraordinário” que esta tem tido no nosso país. “As obras portuguesas têm sido premiadas, quer os textos, quer as ilustrações, temos ilustradores muito bons de Literatura Infanto-Juvenil, quando encontramos um livro, começamos a ler e ficamos fascinados”.

Numa plateia onde estavam muitas crianças e jovens, para além de escritores, narradores e ilustradores, Luís Castro Mendes destacou, ainda, a importância dos livros e da leitura. “Ao lermos um livro está a criar-se algo na nossa imaginação, está a abrir-se o nosso espirito para outro mundo ou para experiências que existem. Através dos livros conhecemos outras realidades, aumentamos a nossa experiência, o nosso conhecimento do mundo. Por outro lado, conhecemos os mundos fictícios, o mundo do imaginário, as ficções que os autores construíram. Portanto, para todos vós, para todas as crianças que aqui estão e os adultos que também tiveram essa experiência, acreditem que ler um livro é mergulhar numa grande aventura”.

O Ministro da Cultura recuou depois até à infância para relembrar o seu primeiro contato com os livros. E, para Luís Castro Mendes, as novas tecnologias e suportes tecnológicos não substituem o livro em papel: “Acho que os meninos que aqui estão vão concordar comigo, que nada substitui o encontro com o livro. Termos na mão o livro, folheá-lo, voltar para trás, saber que as palavras estão lá… Como diz aquela anedota, o livro é um Ipad tão bom, tão bom, que não se tem de carregar no botão e nunca acaba a bateria. Portanto, o livro sempre me fascinou desde criança. Eu desde cedo lia tudo”.   

Também Fernando Pinto do Amaral, o Comissário do Plano Nacional de Leitura, no seu discurso final destacou a importância da leitura e do livro para as crianças e jovens e a qualidade do trabalho produzido na área infanto-juvenil em Portugal. “Nós temos uma literatura para crianças muito boa. Temos uma tradição antiga, muita gente que começou há muito. Há mais de cem anos que em Portugal se faz boa literatura para crianças e que se tem vindo a fazer. As novas gerações idem. Demos um salto enorme nos últimos anos, bastou olhar para aquela feira do livro, para percebermos o salto que demos nos últimos vinte/trinta anos em termos de edição infantil, a qualidade das edições, as novas editoras que têm surgido, imensas editoras vocacionadas e viradas para a infância que nos têm trazido livros com aquilo que é um fascínio e uma sedução, que de certa maneira não existiam quando eu era criança”, concluiu.